O Corpo Sentido

20170324_171018 “Quer se trate do corpo do outro ou de meu próprio corpo,

não tenho outro meio de conhecer o corpo humano senão vivê-lo” (Merleau-Ponty)

Assim como aponta a visão fenomenológica, o Yoga analisa o corpo a partir do ponto de vista interior, do ser vivente, a partir de sua subjetividade em direção transbordância corpórea,  utilizando o corpo como ferramenta para estar-no-mundo.

Dentro da cultura ocidental, ainda há resquícios da estrutura do pensamento cartesiano. A dicotomia mente-corpo, foi de enorme auxilio para o desenvolvimento do pensamento filosófico -cientifico, mas a visão cartesiana de objetivação da natureza que ainda reside em nós, pode e é utilizada muitas vezes para comercialização de um corpo ideal, um estereótipo de uma suposta imagem de saúde, que nos estimula na busca de uma forma aparentemente mais saudável a preço do afastamento de nossa realidade física atual.

A palavra que designa as posturas físicas do Yoga é encontrado no Âranyaka-Upanishad (1500-1000 a.C) ásana, que tem sua raiz verbal de âs “sentar, ficar” e tem relação com a raiz as ”ser”. Neste sentido, permanecer dentro do próprio corpo, ancorando sentimentos, pensamentos e os demais atributos mentais no corpo físico tornando este, um corpo perceptivo e intersubjetivo. Por meio dos asanas é possível dissolver os padrões musculares enrijecidos desatando os traumas que bloqueiam a simplicidade e sensibilidade da vida somática.

No entanto, um ásana embora seja o nome designado as posturas físicas, é muito mais representado, por uma chave de possibilidade acessadas internamente que a mera imagem refletida. Através de encaixes anatômicos, sensações corpóreas emergem para a superfície consciente, que com a devida análise revelam sentimentos reprimidos, imagens inconscientes e formas de pensamento profundas até então escondidas, o mesmo ásana pode ser realizado em um horário idêntico do dia pela mesma pessoa e suscitar experiencias completamente próprias e significativas para aquele momento especifico de vida individual.

Se realmente temos um corpo mental e outro corpo físico como afirmou René Descartes, os asanas do Yôga proporcionam a aproximação desses corpos, o descobrimento do elo pulsante e a reconciliação com o corpo físico, chamado por Dentz de mediador ativo entre o sujeito e o mundo.

João Gilberto é professor de Yoga e estudante de Educação física.

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