(Sangha) A importância do grupo.

“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”. Paulo Freire.

A palavra Sangha talvez seja o complemento mais propicio para o termo Yoga atualmente. Pode ser entendida como a união de pessoas com objetivos, práticas e/ou assuntos em consonância que se encontram com regularidade. Em sua tradução literal “Sangha” pode ser; comunidade, reuniões regulares, ou qualquer forma de convívio humano que ocorre com constância.

Uma sangha pode ser também uma comunidade de amigos que se juntam para promover e manter a consciência. A essência de uma sangha é consciência, compreensão, aceitação, harmonia e amor. Quando você não vê isso em uma comunidade ou em um grupo, não é uma verdadeira sangha. Mas quando você achar que esses elementos estão presentes em uma comunidade, você sabe que você tem a felicidade e a fortuna de estar em uma sangha real.

No contexto das vivências de autoconhecimento, a palavra sangha assume a definição de Zimerman para grupo; uma orquestra na qual cada instrumento e cada musico, assume seu papel e posição, e dialoga entre si e com os demais. Enquanto os membros da orquestra ainda estão afinando seus instrumentos sem um diálogo entre os sons produzidos, o grupo ainda não se concretizou.

É no diálogo que o grupo ganha seu significado de existir e é na convivência que nutrimos nossa personalidade fortalecendo nossos objetivos maiores.

Nossa civilização, nossa cultura, caracteriza-se pelo individualismo. Estamos sós, aprimorando nossas habilidades e afinando os instrumentos eternamente para um concerto em frente ao espelho. O indivíduo quer fugir da família e das sociedades, é por isso que não temos solidez, não temos harmonia, não temos a comunicação que precisamos.

É bem verdade que as tentativas de unificação das diversidades humanas pela religião ou sistemas políticos até então não foram bem-sucedidas e estabeleceram apenas um estado de uniformidade infértil. Sem dúvida, para que exista a uniformidade de um grupo inteiro de pessoas, é necessário certo grau de anulação individual.  E sem a percepção de que é um ser único e individual o ser humano perde seu potencial maior, que é parafraseando Paulo Freire; a vocação ontológica de ser mais.

Hoje mais que nunca como indivíduos, não podemos fazer muito. Refugiar-se na sangha, refugiar-se na comunidade que estamos afinados, é uma pratica forte e importante para fortalecer nossa personalidade das características que mais estimamos. Sem ser apoiado por um grupo de amigos motivados pelo mesmo ideal é quase impossível mudar algo, ou continuar fiel a um caminho consistente de autoconhecimento e humanização.

Sozinho encurto, endureço. Em grupo amadureço.

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