O Sânscrito e o Yoga

A IMPORTÂNCIA DO SÂNSCRITO PARA O YOGA

O sânscrito significa “língua polida”, “língua refinada”, tem sido sempre um idioma elevado em contraste com as línguas faladas, chamadas de prakrta. Quando o termo surgiu na Índia, “sânscrito” não era considerado uma linguagem específica separada das outras, mas uma maneira particularmente refinada ou aperfeiçoada de se falar. O conhecimento de sânscrito era uma marca de classe social e educação, e a linguagem era ensinada principalmente para membros de castas mais altas, através de análise profunda dos gramáticos sânscritos como Pāṇini.

O sânscrito, como a linguagem instruída da Índia antiga, assim existiu junto com os prácritos (vernáculos), que se tornariam, eventualmente, as indo-arianas modernas, tal como o hindi, o nepali, o assamês, o marata, o concani, o urdu, o bengali etc. É lema entre os estudiosos de culturas antigas que “A língua sânscrita é uma grande auxiliar da História das Religiões”. Max Müller em 1891, considerou a maior descoberta do século XIX, no campo da história antiga da humanidade, esta simples equação etimológica: sânscrito “Dyaus — pitar” — grego “Zeus — pater” = latino “lupiter” = antigo norueguês “Tyr”. . . Ela elucida que os nossos antepassados tiveram uma raiz linguística comum à do povo indiano. Isso também explica o sânscrito ser a língua auxiliar requisitada para todas as religiões.

O sânscrito é considerado o fundamento da gramática comparada das línguas indo-europeias e é tido como língua clássica por excelência. A Linguística Comparativa deve a sua existência ao sânscrito. Ele pôs em evidencia as leis da transformação gradual das línguas. Foi o sânscrito, diz Fumi, que serviu de intermediário entre as formas do grego e do latim e que fez desse modo reconhecerem-se as leis das passagens fonéticas e daí os graus e os direitos de afinidade entre um dado número de línguas.

Não há língua que não tenha a sua utilidade. É fato, porém que há idiomas que se distinguem, mais do que outros, como instrumentos do saber. A língua sânscrita mostra o seu valor particular como veículo de cultura. A história desta língua é demasiadamente interessante e são muitas as suas etapas no desenvolvimento da cultura indiana. Apresentando perto de cinco mil anos. Não é língua morta, no verdadeiro sentido da palavra, como o hitita, o tocario, o etrusco. Ainda é viva nos dias de hoje, falada na Índia pelas pessoas cultas. É claro que, como todas as línguas, especialmente de povos cultos, passou por várias transformações em seu longo trajeto histórico. A importância do sânscrito não consiste tanto na sua antiguidade, quanto no modo perfeito como tem sido conservado e na abundância de formas que ele apresenta.

“A língua sânscrita, qualquer que seja a sua antiguidade, é de uma estrutura maravilhosa; mais perfeito que o grego, mais abundante do que o latim, e mais primorosamente refinado do que qualquer um, ainda tendo a ambos uma afinidade mais forte, tanto nas raízes de verbos e as formas de gramática, do que poderia ter sido produzida por acidente; tão forte, na verdade, que nenhum filólogo poderia examiná-los todos os três, sem acreditar que eles tenham uma fonte comum, que, talvez, não existe mais”. Sir William Jones (1746-1794)

O sânscrito é uma linguagem para expressar aquilo que transcende as palavras, o que pode levar a que uma única palavra corresponda a uma ideia complexa, como por exemplo as palavras “karma”, “Samsara”, “tantra”. Assim sendo, ficam evidentes as dificuldades na tradução dos termos, fazendo com que o conhecimento do sânscrito se torne essencial para aprofundar a compreensão da religiosidade, da filosofia e da cultura indiana. Para além da sua perfeição matemática, já comprovada recentemente, pela resolução de problemas matemáticos através desta língua, a capacidade que ela mostra para exercitar o cérebro é complementada com o poder de tocar o coração de todos quantos a ouvem, estudam e praticam. Podemos contemplar a universalização desse idioma no fato de termos como “avatar”, “nirvana”, “mantra” terem possibilitado um entendimento nunca antes alcançado em outra língua no lado ocidental do globo. Não à toa, um dos lemas do sânscrito é: “Toda a Terra é como uma família e o conhecimento dá cortesia, humanidade”. Significa dizer que se todas as nações falassem sânscrito, entenderíamos mais de nós mesmos e do outro, seríamos mais gentis e humanos com todos os habitantes da Terra.

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