Afinal, Yoga é religião?

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Antes de tudo, nós, filhos da cultura ocidental (principalmente brasileiros) precisamos dar dois passos atrás, diante do significado do termo religião, para entendermos com mais clareza como ela se configura em outras regiões do mundo.

  Por exemplo, o que conhecemos por hinduísmo? Que é uma religião, que crê em muitos deuses, e é originaria da Índia, certo? Errado, muito errado. O termo hinduísmo é uma transliteração feita pelos colonizadores ocidentais, aliás uma transliteração pejorativa, que vem do termo “indu” abreviação da expressão do Latim “indigenous” que quer dizer “sem alma”.

  O que a cultura invasora tentou traduzir por hinduísmo é na verdade uma vasta tradição cultural rica em princípios morais, literatura mitológica, ritos antigos e diversas vertentes do caminho espiritual para os vários tipos de tendencias mentais. Esta tradição é o “Sanatana-Dharma”  que vem se transformando a pelo menos 3.000 anos, já que seu livro mais antigo é o Rig-veda escrito por volta de 1700 – 1100 a.C e desde então muitos outros escritos já foram inseridos nessa tradição.

  “Sanatana Dharma” é muitas vezes traduzido por “lei universal” ou “caminho da verdade”, a palavra “Sanatana” é entendida como; perpetuo, eterno, o que não muda, já o termo “Dharma” quer dizer; caminho, lei, conduta. Em poucas palavras o “Sanatana Dharma” é o somatório de tradições e caminhos orientados para a moral e elevação espiritual.

Essa “lei universal” ou “caminho da verdade” é o principio perene que abarca e habita todos os seres, aquilo que está além da diversidade e da transitoriedade da natureza. Como afirma o Bhagavat Gita no Capitulo II: “O que É, jamais deixara de Ser”.

E onde está o Yoga nisso tudo?

O Yoga surge dentro deste contexto histórico, com métodos, técnicas e principalmente prática(experimentação) e pesquisa(meditação) para a reconexão do ser humano com a “verdade” da natureza, da sua própria natureza (sua homeostase).

Pense bem, em apenas um dia o Ser humano realiza em média 29 mil respirações e quase a mesma quantidade de contração nas fibras musculares, sendo que no fundo de cada nuance respiratória, existe atrelado o aroma de um sentimento; e as contrações musculares, muitas vezes, revelam um padrão de pensamento. Quando o Ser humano deixa de ter apego a ignorância da sua própria natureza e se torna cientista do universo interior todos esses acontecimentos passam a ser expressões da transitoriedade da vida e da natureza. Enquanto o princípio perene que está além das transformações é a própria consciência que percebe tudo isso.  Como aconselha o Oráculo de Delfos; “Homem conhece a ti mesmo e conheceras os deuses e o universo”.

Por fim, é importante lembrarmos que se queremos conhecer qualquer tradição estrangeira sob a ótica de nossa própria cultura, não sairemos do estágio de incompreensão. Ainda mais o Yoga, uma tradição tão antiga, forjada em um tempo  em que os limites entre respiração e religião eram mínimos.

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