Alimentação

Este é um dos pontos que mais afasta algumas pessoas da pratica do Yoga atualmente, modificar os hábitos alimentares para alguns é como perder ou desestruturar a personalidade, o que não deixa de ser real, já que somos constituídos do alimento que ingerimos constantemente.

Para todos os efeitos; o mais provável é que, sim, os hábitos alimentares mudaram. Não, você não é obrigado a isto.

Dentro da literatura tradicional e milenar do Yoga (principalmente no Upanishade Shandilya e Hatha Yoga Pradipika) encontramos 10 preceitos a serem seguidos, sendo o 1º Ahimsa (Não-violência) não agredir por atos, fala ou pensamento nenhuma criatura viva. Seguindo este preceito de maneira ortodoxa, a abstenção do consumo de animais é consequente, mesmo crendo que esses animais não sentem dor no abati, alimentar-se de um ser vivo que já morreu a mais de 24 horas , é um mal ingerido, o que o torna ainda mais execrável, por ser um mal a si próprio. Porém sempre encontramos exceções, os praticantes de budismo Vajrayana do Himalaia por exemplo, por viverem em regiões áridas e montanhosas onde a agricultura é inviável, precisam se alimentar de carne ou cometeram um mal para eles próprios, explicitando que a logica do Yoga é de dentro para fora.

Ao chegar no 9º preceito encontramos Mitahara; Mita(moderado) e Ahara (consumo de comida) a alimentação consciente e moderada é exaltada na tradição Yogui. No ensinamento hindu corrente, o homem nasce com um quota de alimentos que deverá consumir enquanto viver, passado esse limite ele fatalmente padecerá de doença. Outros devotos, aconselham que a quarta parte do estomago deve permanecer vazia em oferenda a Shiva a “consciência suprema” “aquele que superou a natureza”.

A prevalência do assunto é tal, que um tipo de Yoga se desenvolveu a respeito disto. O AnnaYoga é a união (Yoga) através do alimento (Anna) onde a observação dos nutrientes, construção do prato e a comunhão alimentícia formam a base dessa vertente.

De toda forma, a pratica regular do Yoga 1º diminui a exigência alimentar estomacal por reduzir a dilatação dos orgãos internos, com a utilização de posturas como; jathara parivathasana, pashimotanasana e Matsyendrasana. 2º A medida que nós conhecemos melhor, o vazio existencial que a gula saciava de maneira fugaz, emerge mesmo no abarrotamento alimentar, implorando para serem esclarecidos. 3º A respiração yogue alimenta sutilmente com energia universal que é “Prana” fonte primaria nutricional na cadeia alimentar. 4º O aumento da interocepção advinda da pratica, torna a influência de cada tipo de alimento sobre nós melhor distinguida, o que nos levará a decisões mais assertivas em relação a; o que comer, e quando comer.

A proposta constante que o Yoga nos faz, é de vigília e consciência da grande pergunta; quem somos nós? A resposta é construída em cada ato que se torna hábito e em cada pratica que se torna cultura. E qual maior habito cultural, que alimentar-se? E qual local mais fácil de começar essa busca, se não, nos elementos que nos constituem?

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