Yamas e Nyamas

arbol-ashtanga copy

Yama

Significa controle ou domínio. É o pontapé inicial no caminho do Yoga. Os yamas são cinco proscrições:

ahimsa (amor; não violência; não prejudicar outro ser vivo e nem a si mesmo);

satya (verdade, buscar o caminho mais claro para expressar o que sente);

asteya (não roubar; não querer para si o que é dos outros);

aparigraha (abdicar do supérfluo; desapego);

brahmacharya (mover-se para Deus; não perverter, nem degradar, exacerbar, explorar ou se submeter ao sexo).

Compreendem aquilo que não devemos fazer, os refreamentos ou abstinências que pretendem purificar o yogi, aniquilar a subjetividade advinda do egocentrismo e prepará-lo para os estágios seguintes da prática. Desempenham o controle dos impulsos naturais, que se manifestam através dos cinco órgãos de ação (karmendriyas): braços, pernas, boca, e órgãos sexuais e excretores. Essas normas de disciplina moral têm a finalidade de refrear o poderoso instinto de sobrevivência e canalizá-lo para servir a um propósito superior, regulando as interações sociais do yogi, harmonizando o relacionamento dele com os outros seres. Esse controle criativo que os yogis exercem sobre as suas energias exteriorizantes resulta num excedente energético que pode então ser posto a serviço da transformação espiritual da personalidade.

 

Niyama

Compreendem cinco disciplinas ou observâncias, ou seja, aquilo que devemos fazer:

sauchan (pureza ou purificação);

santosha (contentamento);

tapas (disciplina, determinação, força de vontade);

svadhyaya (autoconhecimento);

Ishvarapranidhana (devoção).

Essas atitudes cumprem a função de domínio sobre os cinco órgãos de percepção (jñanendriyas): olhos, ouvidos, nariz, língua e pele. Esse controle dos sentidos aponta à organização da vida pessoal e interior do praticante, harmonizando o seu relacionamento com a vida em geral e com a Realidade transcendente.

“Quando o yogi se torna qualificado, através da prática da disciplina ética, por abster-se de ações ilícitas (Yama) e da auto superação (Niyama), pode (então) começar a prática de asanas e das outras técnicas. ” (Yoga Bhasya Varana, II:29)

“Se você não tiver tempo ou disposição para agir conforme a ética do Yoga, tampouco terá tempo nem atitude para praticá-lo. Yama e Niyama são os dois primeiros passos da caminhada, condição indispensável para que a prática dê resultados concretos. ” (Pedro Kupfer)